Estande da Vetnil construído com tubos de papel reciclado.
Estandes sustentáveis são a aposta
Apesar de vista como tendência, ação é tímida entre expositores
Estande da Vetnil construído com tubos de papel reciclado, na feira Anclivepa, no Pará
O tema da sustentabilidade tem sido a tônica das organizadoras de feiras no país.
Iniciativas como coleta seletiva de lixo e compensação de carbono, que inclui o plantio de árvores para neutralizar o CO2 emitido, são recursos para reduzir o impacto ambiental dos eventos.
Grandes promotoras, como a Reed, e organizadoras de feiras segmentadas, como a Apas (Associação Paulista de Supermercados), mantêm iniciativas de reciclagem.
Na ForMóbile, feira de fornecedores das indústrias de madeira e móveis, por exemplo, 30% dos resíduos sólidos gerados nos quatro dias de evento foram reciclados. O restante foi enviado para um aterro certificado com ISO 14.001, de diretrizes na área de gestão ambiental.
A Adventure Sports Fair promoveu a transformação de 300 kg de
resíduos orgânicos em adubo natural e destinou espaço para uma seção na qual foram usados apenas materiais de edições passadas e resíduos de estandes.
ADESÃO
É uma tendência [a adoção de ações sustentáveis], diz o gerente-geral da Feiras Brasil, de catálogo de eventos, Reginaldo Chaves, 65.
Muitas vezes, contudo, as ações são desenvolvidas apenas por promotoras, sem adesão de expositores na montagem dos estandes.
A WR, promotora da Mega Artesanal, feira de artesanato com 400 expositores, arca sozinha com os custos de reciclagem, que podem alcançar R$ 20 mil. Para este ano, a ideia é discutir a neutralização de CO2 com as empresas participantes. Assim, vemos a aceitação da iniciativa, destaca a diretora da empresa, Rita Mazzotti.
A maioria das empresas não coloca [o gasto] no budget, sinaliza o diretor da Reclicagem Gestão e Marketing Ambiental Caio Queiroz, 32.
O setor ainda está muito cru a esse respeito, reflete ele, adicionando que tem feito permutas e buscado patrocinadores para promover ações sustentáveis nas feiras.
TUDO RECICLÁVEL
Mas há expositores que apostam no conceito de sustentabilidade, como a Vetnil, laboratório de produtos veterinários, que emplacou
um estande “100% sustentável” na feira Anclivepa, no Pará.
A área incluiu paredes feitas de tubo de papel reciclado e canetas de papelão -todos sinalizados para os visitantes. Até as camisetas eram feitas de garrafas PET.
Não foi possível mensurar resultados diretos, mas, segundo o diretor de marketing da empresa, Cristiano de Sá, 36, o retorno para a marca justificou a adoção da estratégia na Pet South America, de produtos e serviços veterinários, em São Paulo.
O valor gasto no estande, diz Sá, é similar ao de um sem compromisso ambiental. O investimento vai de R$ 400 a R$ 500 por m2.
Fonte: Folha de São Paulo – São Paulo, domingo, 09 de janeiro de 2011.
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