Em entrevista com a Médica-Veterinária, fundadora e presidente da ONG, Dra. Flávia Miranda, a companhia mostra como ciência, políticas públicas e conscientização são essenciais para proteger a fauna brasileira
Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, com o objetivo de mobilizar governos, empresas e sociedade para a proteção do planeta e dos recursos naturais. Ao longo das décadas, a data se consolidou como um dos principais marcos globais de conscientização ambiental, reforçando a necessidade de ações concretas para preservar a biodiversidade e enfrentar desafios como desmatamento, mudanças climáticas e perda de habitats naturais.
Neste contexto, a Vetnil®, empresa brasileira do setor veterinário, destaca que a saúde animal está diretamente conectada à saúde do meio ambiente — especialmente quando se trata da fauna silvestre.
Para ampliar a discussão nesta data, a companhia compartilha sua conversa com a Médica-Veterinária Dra. Flávia Miranda, fundadora e presidente do Instituto Tamanduá, organização não governamental que há vinte anos se dedica à pesquisa, conservação e reabilitação de tamanduás, tatus e preguiças no Brasil.
A seguir, confira a entrevista com a especialista.
Por que o Dia Mundial do Meio Ambiente também deve ser uma data importante para quem trabalha com saúde animal?
Dra. Flávia Miranda – O meio ambiente está diretamente ligado à saúde animal. Quando há desequilíbrio ambiental, aumenta a exposição a patógenos, há redução de recursos alimentares e maior necessidade de deslocamento das espécies, o que eleva o risco de doenças e ameaça populações inteiras da fauna.
Qual é hoje o maior desafio para a conservação de tamanduás, tatus e preguiças no Brasil?
Dra. Flávia Miranda – A degradação do habitat é o principal desafio. Campos naturais e florestas estão sendo deteriorados, reduzindo recursos e aumentando o contato com doenças e o risco de atropelamentos – principalmente nas estradas – durante a busca por novas áreas.
Quais espécies de xenarthras inspiram maior preocupação atualmente?
Dra. Flávia Miranda – A preguiça-de-coleira do sudeste (Bradypus crinitus) é uma das espécies mais preocupantes. Ela vive apenas na Mata Atlântica do Espírito Santo e Rio de Janeiro, bioma altamente fragmentado, o que pode impactar rapidamente sua sobrevivência.
O quanto as mudanças climáticas já impactam o trabalho de campo e o resgate de fauna silvestre?
Dra. Flávia Miranda – A imprevisibilidade das estações, mesmo em regiões onde épocas chuvosas ou secas eram bem-marcadas, dificulta o planejamento de expedições e impacta logística, métodos de captura e coleta de amostras, além de reduzir a previsibilidade de avistamento dos animais.
Que atitudes simples podem ajudar a fauna mesmo nas cidades?
Dra. Flávia Miranda – A principal atitude é a consciência política. Leis e regulamentações ambientais influenciam diretamente a preservação de biomas, fiscalização e controle de atividades que podem ameaçar espécies.
Como a Medicina Veterinária contribui para a preservação da biodiversidade?
Dra. Flávia Miranda – A Medicina Veterinária atua no monitoramento de doenças, resgate e reabilitação de animais, elaboração de planos de manejo, avaliações genéticas e ecológicas, criação de biobancos e estratégias para manter a variabilidade genética das populações.
O que acontece com um animal silvestre após o resgate?
Dra. Flávia Miranda – Após estabilização e tratamento, filhotes passam por reabilitação e estímulos para desenvolver comportamentos naturais. Animais adultos são avaliados quanto à aptidão para retorno à natureza. O processo é longo e individualizado.
Áreas protegidas são suficientes para garantir o futuro da fauna brasileira?
Dra. Flávia Miranda – Não. A conservação precisa ir além, com conexão entre habitats, passagens de fauna e reflorestamento para permitir fluxo genético e reduzir riscos como atropelamentos e doenças.
Como parcerias entre ciência, empresas e sociedade civil podem acelerar a conservação?
Dra. Flávia Miranda – A ciência traz dados e protocolos que devem ser seguidos, pois se baseiam na expertise de profissionais que trabalham anos com o assunto, e produzem dados com base em metodologias reconhecidas. Seguir a ciência é diminuir a chance de erro nas ações de conservação. Mas para colocar em prática estas ações, são necessários recursos financeiros e as empresas são grandes aliadas nesta questão. A sociedade civil, por sua vez, deve abraçar as ações propostas pela ciência, seja por apoio indireto, ou trabalhando diretamente para que a conservação saia do papel.
Parceira de longa data do Instituto Tamanduá, a Vetnil® reforça que iniciativas colaborativas são fundamentais para proteger a fauna brasileira e promover a coexistência entre humanos e animais, ampliando o diálogo sobre conservação e incentivando ações concretas em prol da biodiversidade.
Para mais informações sobre a instituição, as iniciativas desenvolvidas e como contribuir, acesse o site: www.tamandua.org.
Bem-vindo a Vetnil®
Usamos cookies para
melhorar sua experiência.
Nós guardamos informações técnicas e analíticas do seu acesso e navegação em nosso site.