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17 de setembro de 2026
Do esporte à Seleção: CAD Rio Preto leva atletas ao Mundial e prepara nova geração paralímpica
5 min
17 de setembro de 2026
Do esporte à Seleção: CAD Rio Preto leva atletas ao Mundial e prepara nova geração paralímpica
5 min

Quando a Seleção Brasileira masculina entrou em quadra no Mundial de Basquete em Cadeira de Rodas, realizado de 09 a 19 de setembro, em Ottawa, no Canadá, dois atletas vinculados ao CAD Rio Preto faziam parte da equipe: Alex Santos da Silva e Plínio Hugo Santos da Rocha Macedo. A presença de ambos na principal competição internacional da modalidade é parte de um trabalho que conecta inclusão, prática esportiva e alto rendimento.

A trajetória ganha destaque no Dia de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado em 21 de setembro, e no Dia Nacional do Atleta Paralímpico, celebrado em 22 de setembro. Fundado em 2004, o Clube Amigos dos Deficientes (CAD) mantém atendimentos gratuitos e desenvolve ações voltadas a pessoas com e sem deficiência. Atualmente, o trabalho esportivo abrange 14 atletas do basquete em cadeira de rodas, dois do atletismo e 16 participantes previstos para a implantação do parabadminton.

O CAD também está representado na Seleção Brasileira Sub-23 por Daniel Gusmão Pelicer, de 18 anos, e pelo fundador da entidade, Paulo Jatobá, técnico da categoria. Antes do Mundial adulto, Jatobá integrou a comissão técnica brasileira como auxiliar durante a repescagem realizada em junho deste ano, na Tailândia, competição em que o país garantiu uma das últimas vagas para Ottawa.

“Ter atletas nas seleções adulta e Sub-23 mostra até onde o esporte pode levar uma pessoa quando ela encontra oportunidade, estrutura e acompanhamento. O alto rendimento é um dos caminhos possíveis, mas o trabalho começa antes, no acesso à atividade física, na convivência e na construção da autonomia”, afirma Jatobá.

Esporte como caminho para a autonomia

O ingresso nas atividades do CAD começa com uma avaliação realizada por fisioterapeuta e assistente social. A partir do perfil e das aptidões de cada participante, são indicadas as práticas mais adequadas. A entidade recebe adultos, jovens e crianças a partir dos cinco anos de idade, inclusive moradores de outros municípios, e mantém quadra própria, academia, sala de pilates e espaço multifuncional em sua sede, em São José do Rio Preto.

Além das modalidades esportivas, o CAD realiza ações voltadas à manutenção da qualidade de vida e à aproximação com a comunidade. Entre elas estão o Projeto Inclusão Reversa – atividades físicas abertas a pessoas com e sem deficiência – e o Cuidando de Quem Cuida, que permite a pais e acompanhantes utilizarem a academia e a sala de pilates enquanto os participantes realizam suas atividades.

Segundo Jatobá, o objetivo não é restringir o atendimento à assistência imediata, mas criar condições para que cada pessoa desenvolva independência e encontre oportunidades também no estudo e no trabalho.

“Não trabalhamos com uma visão assistencialista. Procuramos oferecer ferramentas para que a pessoa conquiste autonomia, seja por meio do esporte, da educação, da empregabilidade ou da convivência social. Nem todos seguirão para o alto rendimento, mas todos podem encontrar no CAD uma possibilidade de desenvolvimento”, explica.

A intenção da entidade é ampliar essa jornada por meio de parcerias com a área da saúde. A proposta é incorporar futuramente serviços de reabilitação e permitir que o participante continue, no mesmo espaço, em atividades de qualidade de vida, inclusão social ou formação esportiva.

Do acesso ao alto rendimento

Manter essa estrutura, entretanto, exige recursos contínuos. Uma cadeira adaptada para o basquete custa aproximadamente R$ 25 mil, sem considerar manutenção, pneus, inscrições e deslocamentos para competições. Como os atendimentos são gratuitos e a entidade não possui receita própria, a continuidade das atividades depende de apoio privado, projetos incentivados e recursos públicos.

“Parcerias como a que mantemos com a Vetnil® ajudam o CAD a dar continuidade aos atendimentos e a criar oportunidades para que mais pessoas tenham acesso ao esporte. Esse apoio é importante tanto para quem busca qualidade de vida e autonomia quanto para os atletas que desejam chegar ao alto rendimento”, afirma Jatobá.

O histórico da entidade inclui atletas como Claudiney Batista, que iniciou no CAD, em 2007, sua trajetória nas provas de lançamento de disco, dardo e arremesso de peso. Desde então, tornou-se tricampeão paralímpico e tetracampeão mundial no lançamento de disco. Em 2025, conquistou o quarto título mundial consecutivo e estabeleceu o recorde da classe F56, com 45,67 metros.

Agora, com Alex e Plínio na seleção adulta e Daniel na Sub-23, o CAD procura dar continuidade a essa presença no esporte nacional, ao mesmo tempo que amplia sua atuação para pessoas que buscam na atividade física não necessariamente uma carreira competitiva, mas qualidade de vida, participação social e autonomia.

Pessoas e empresas também podem contribuir para a continuidade dos atendimentos gratuitos e das atividades esportivas oferecidas pelo CAD Rio Preto. Informações sobre as formas de participação, parceria e apoio estão disponíveis no site da entidade.

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